Nossa produção é grande: fabricamos milhões e milhões de máquinas eletrônicas a cada mês, sabe-se lá, a cada semana. Nossa produção é pequena: passamos horas, dias e semanas defronte a máquinas, nos escritórios de trabalho, em instituições, em nossas máquinas pessoais e sempre temos a sensação de que produzimos pouco: realizamos poucos projetos, ganhamos pouco dinheiro, estudamos pouco, escrevemos pouco e por aí vai. Consumo…? Em consumo, pensamos pouco. Ele se realiaza em nossa vida e vamos deixando os dias correr, só tememos nossa conta no banco, para que o saldo não fique negativo.
Tecnologia, meus caros. Tecnologia. Tudo está ligado a esta palavrinha hoje: tecnologia.
A tecnologia nos prometeu uma Produção maior. Nos prometeu uma maior produtividade pessoal, só não nos avisou que era o consumo, essa palavrinha egocêntrica a grande engrenagem do motor que iria por para funcionar esse sistema.
Aí hoje você se encontra diante de seu computador, visitando vários sites em busca de novos gadgets para adquirir a custo de várias prestações. Você poderia estar trabalhando, produzindo mais (quem sabe, para consumir mais) mas o seu trabalho como o da maioria, é tedioso. Você prefere continuar procurando um notebook que melhor se adapte às suas necessidades profissionais.
Você quer produtividade. Gerar produção, riqueza. Você está abençoado pelo consumo libertador: é o consumo mágico que redime a sua culpa porque se insinua como a atividade produtiva, que reforça a lógica do sistema: a passagem de um capitalismo de produção, para uma sociedade de consumo. Eles te vendem a produtividade, mas apenas como pacote mágico, embalagem mágica e divertida do sucrilhos: eles sabem que aquilo não modifica a sua capacidade produtiva. O importante é que você continue comprando.
A pergunta é: até que ponto não consumimos muito mais equipamentos tecnológicos do que precisamos? e mais, esse consumo que se insinua como a panacéia do inchamento das metropóles, da explosão da informação e do recrudescimento das relações sociais humanas (de carne e osso, presenciais…) não se mistura nessa contaminação do tempo e do espaço que a cada dia se tornam mais volatizados?
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