Google sites: um marco na questão dos sites.
22/ Maio/ 2008Assim como o Blogger e o WordPress marcaram época no campo dos blogs, o novo serviço do Google Sites acena como um novo divisor de águas em máteria de páginas de internet.
A construção de páginas pessoais, profissionais, de grupos e comunidades é um tipo de serviço que sempre esteve presente na internet, desde muito cedo após a sua popularização. Basta lembrar do geosites, do tripod, do cjb, entre outros projetos e notar que não são propostas novas.
A idéia de oferecer páginas gratuitas aos usuários basicamente sempre esbarrou em dois tipos de erros comuns:
- O primeiro é a dificuldade ( o enigma quase insolucionável) de transformar esse serviço em algo com viabilidade econômica. O caminho mais comum foi a tentativa de vincular a utilização de banners e publicidade, o que nunca casou bem com as expectativas dos usuários e dos produtores de conteúdo.
- O segundo é a dificuldade da produção de conteúdo significativo. Criar uma página na internet é uma idéia que desperta muito interesse e desejo dos usuários comuns da rede, mas a realidade de qualquer tipo de publicação (seja virtual ou impressa) é um tipo de comprimisso que demanda tempo, dedicação e trabalho, que na maioria das vezes não possui nenhuma contrapartida garantida.
A partir desta observação, podemos pensar que mesmo com a oportunidade técnica (a popularização dos sites dinâmicos) garantida a todos os usuários da rede de se auto-publicarem, ainda assim temos um desafio não resolvido que se relaciona com a inexistência de motivações plausíveis para usuários comuns publicarem materiais para além de registros privados de suas vidas particulares.
Neste campo minado, os blogs cumpriram um importante avanço diante do cenário de dificuldades. Conseguriam captar os usuários-produtores de conteúdo oferecendo facilidade na auto-publicação, atrairam leitores oferecendo novos canais de conteúdo alternativo e crítico dos meios comuns de mídia-imprensa, e avançaram também nas formas de monetização, com a expansão dos anúncios associados, contextuais e das cotas de publicidade.
Isso levou muitos analistas a decretarem a morte das páginas pessoais, de pequenos grupos e similares. Em relação aos blogs elas perdem muito em dinâmica de produção de conteúdo e agilidade com o público. As páginas estáticas também não ofereceram soluções de monetização interessantes para os usuários comuns.
Um dos pontos que me parecem centrais dentre as diferenças dos Blogs e dos Sites em formato de Página, é a diferença quanto a dimensão do projeto que cada um dos formatos impõem: os blogs, por sua estrutura simplificada e ágil, permitem projetos pequenos, sobre assuntos bem específicos, permitem o formato de esboço (os “posts” rápidos). Os sites em formato de página, se por um lado oferecem potencialidade técnicas muito interessantes em termos de exposição e publicação do conteúdo, por outro eles impõem um compromisso e um trabalho muito maior para a manutenção do espaço virtual. Realizar a manutenção-atualização de um blog é muito mais fácil do que de uma página. Produzir conteúdo para uma página exige um material mais credenciado pois espera-se que aquela página estática seja um material de consulta confiável.
Com todos estes pontos negativos, será que podemos ainda apostar na viabilidade da construção de sites-páginas no futuro da internet? Pois bem, do jeito que as coisas andavam, parecia que não havia muito mais campo, a resposta era “não”. Mas o Google, com seu novo serviço de sites, parece sinalizar uma opção positiva neste campo.
Antes de comentar o serviço do Google propriamente, ainda julgo interessante comentar algumas idéias finais acerca de Blogs e Sites-página. Apesar de vencer a luta contra os sites, os blogs não conseguiram oferecer soluções para formatos de publicação mais estáticas. Como exemplo disto, podemos considerar que o formato dos blogs não facilitou a publicação de conteúdos como coletânea de artigos, livros, portifólios, galeria de imagens, crônicas, contos, colunas de escritores e demais modelos que exigem um perfil mais estático e com mais recursos.
Portanto, de acordo com nosso ponto de vista, a despeito do avanço dos blogs, o espaço das Páginas ainda existia. O que dificultava o avanço das páginas era também os obstáculos técnicos. Para montar uma página o indivíduo era obrigado a estudar o html, alugar uma hospedagem, adquirir um programa de html e ftp. Uma carga de trabalho considerável e que se torna a cada dia menos importante.
É aqui que entra o novo serviço do Google. O Google Sites conseguiu oferecer o que nenhuma outra empresa ofereceu até hoje: um mecânismo de fácil edição, que permite montar páginas bastante completas: possui topo com a possibilidade de subir o logo, menu interessante e fácil, miolo central com muitas opções de conteúdo (inclusive widgets) e rodápe. Há opções para fazer páginas com upload de arquivos, com listas de atividades e andamento de projetos, avisos, últimas contribuições. Tudo fácil de editar, sem precisar saber uma linha de html ou de php e mysql. Além disto, é possível associar muitos outros serviços do Google como o Google Docs, Google Calendário, o Picasa, o Google Video e o famigerado Youtube. Se não bastasse tudo isso, há a possibilidade de utilizar a maior parte dos widgets disponíveis no iGoogle, ou seja, a possibilidade de transformar a sua página pessoal num mini-portal pessoal.
Com isso o Google conseguiu realizar um modelo de página quase tão fácil quanto um blog, sem pecar pela qualidade e complexidade que toda a página estática deve oferecer. Com esse grau de qualidade e por ser um serviço gratuito, acredito que este passo adiante é um marco na questão dos sites e da auto-publicação. Se outras empresas seguirem esta pista aberta pelo Google e começarem a disputar mercado neste tipo de serviço, em breve os Sites pessoais ou de pequenos grupos complexos, bem feitos e com diversos recursos serão tão comuns quanto as contas de e-mail. Quando isso acontecer, restará o desafio do conteúdo, mas aí já não será responsabilidade do Google ou de outra empresa, e dependerá sim da nossa disposição e de uma nova cultura de compartilhamento.




